Com a reeleição de Tarcísio de Freitas em primeiro turno, a carteira do UniversalizaSP, que prevê concessões regionais para 146 municípios fora da área da Sabesp, segue como principal pendência. O fim do período eleitoral também deve destravar a divulgação de atos regulatórios no estado.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito no domingo (4) para comandar o estado de São Paulo por mais quatro anos. Venceu no primeiro turno, com 62,65% dos votos, contra 36,42% de Fernando Haddad (PT), segundo os resultados divulgados pela imprensa. Para o setor de saneamento, o resultado mantém o rumo da política estadual adotada desde 2023. A principal pendência é o programa UniversalizaSP, que pretende conceder à iniciativa privada, em blocos regionais, os serviços de água e esgoto de 146 municípios que não estão na área de atuação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
O que estava em disputa
O saneamento foi um dos temas de contraste na campanha. Durante a disputa, Haddad afirmou que, se eleito, reveria o contrato de desestatização da Sabesp e que a privatização não era necessária para universalizar os serviços no estado, segundo a Agência iNFRA. Com a vitória do atual governador, a expectativa registrada pela publicação é de continuidade da carteira de concessões já programada, incluindo os novos blocos de saneamento.
UniversalizaSP: o que está previsto
O UniversalizaSP foi instituído pelo Decreto nº 67.814, de 18 de julho de 2023, sob coordenação da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI). O programa abrange municípios que não integram a Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário 1 (URAE 1 – Sudeste), operada pela Sabesp, e municípios que tenham contratos de concessão ativos.
De acordo com a página oficial do projeto na SPI:
- abrangência: 146 municípios;
- modelo jurídico: concessão, com prazo de 33 anos;
- Capex e Opex estimados: cerca de R$ 100 bilhões ao longo do contrato;
- blocos: ainda a definir, organizados a partir das bacias hidrográficas e das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHIs);
- remuneração: receita tarifária de água e esgoto e eventual subsídio do estado.
Segundo o Valor Econômico, os investimentos previstos para a universalização até 2033 somam cerca de R$ 29 bilhões.
O projeto passou por consulta pública (Consulta Pública nº SPI-005/2026) e por audiências públicas em maio de 2026, realizadas em São Caetano do Sul, Americana, São Carlos e Junqueirópolis, além de uma sessão virtual. A consulta teve prazo prorrogado, conforme aviso publicado pela SPI.
O cronograma divulgado pela secretaria prevê edital, leilão e assinatura de contrato no segundo semestre de 2026.
NECESSITA VERIFICAÇÃO: a página da SPI não informa data de publicação do edital nem data do leilão. Não foi possível confirmar se o cronograma do segundo semestre de 2026 permanece válido.
O contexto do mercado
A definição política em São Paulo ocorre num momento de baixa competição nos leilões de saneamento no país. Em 2026, certames em Goiás, Paraíba, Ceará e Rondônia tiveram pouca ou nenhuma disputa. O leilão de Rondônia terminou o prazo de entrega de documentos, em 22 de setembro, sem propostas. Agentes de mercado citam juros elevados, exigências de capital e o próprio calendário eleitoral entre os fatores de cautela.
Na avaliação do SaneAgora, a definição do cenário político estadual elimina uma das incertezas apontadas por investidores, mas não resolve as demais. A atratividade dos blocos do UniversalizaSP tende a depender da modelagem final dos lotes, do nível tarifário e da eventual participação de recursos estaduais, pontos ainda em aberto.
Atos regulatórios represados
O período eleitoral também afetou a comunicação institucional dos órgãos estaduais. A seção de notícias do site da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informa que os conteúdos ficariam indisponíveis de 4 de julho de 2026 até o fim da eleição estadual. Como a disputa ao governo foi decidida no primeiro turno, a tendência é que a divulgação de deliberações, consultas e audiências públicas seja retomada nas próximas semanas.
Entre os temas em curso está a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. A Arsesp e a SP Águas decidiram manter em outubro a Gestão de Demanda Noturna, com redução de pressão por oito horas diárias, segundo a imprensa. A ANA informou que o Sistema Cantareira opera em outubro na Faixa 2 (Atenção).
O que acontece agora
No plano estadual, os próximos marcos a acompanhar são:
- publicação do edital do UniversalizaSP e definição do número de blocos;
- retomada da divulgação de atos da Arsesp e de outros órgãos estaduais;
- evolução das medidas de segurança hídrica na Grande São Paulo.
No plano federal, o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, ainda pode influenciar temas que afetam o setor no estado, como a regulamentação da reforma tributária, que começa a alcançar as contas de água em dezembro.
Saiba em 30 segundos
- Tarcísio de Freitas foi reeleito em 4 de outubro, no primeiro turno, com 62,65% dos votos.
- A principal pendência do saneamento estadual é o UniversalizaSP, para 146 municípios fora da área da Sabesp.
- O programa prevê concessões de 33 anos, com Capex e Opex de cerca de R$ 100 bilhões.
- O cronograma oficial indica edital e leilão no 2º semestre de 2026, sem data definida.
- Com o fim do período eleitoral estadual, a divulgação de atos da Arsesp deve ser retomada.
Por que isso importa
São Paulo é o estado mais populoso do país e é referência para outras unidades federativas em modelagem de concessões regionalizadas. O avanço ou o atraso do UniversalizaSP afeta diretamente municípios de médio e pequeno porte do interior, que estão fora do contrato da Sabesp e ainda precisam de investimentos para cumprir as metas de 2033.
Para reguladores, prestadores e investidores, o resultado eleitoral reduz a incerteza sobre a direção da política estadual. O desafio passa a ser a execução: transformar a carteira de projetos em leilões competitivos num ano de baixa disputa no setor.
O que muda na prática
- Municípios fora da área da Sabesp: devem acompanhar a definição dos blocos e as condições de adesão ao UniversalizaSP.
- Prestadores e investidores: a continuidade política sinaliza a manutenção da carteira, mas a atratividade depende do edital.
- Reguladores: a retomada da divulgação de atos estaduais deve trazer deliberações e consultas represadas desde julho.
- Usuários: as medidas de gestão de demanda na Grande São Paulo seguem em vigor em outubro.
Fontes e documentos
Instituição: Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo Título: UniversalizaSP.
Instituição: Agência iNFRA Título: Tarcísio é reeleito em SP, onde concessões de rodovia podem ter nova fase.
Instituição: Valor Econômico Título: SP abre consulta pública para concessões de R$ 29 bi.
Instituição: Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).
Instituição: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Instituição: Região Noroeste Título: Governo de SP.
Instituição: NeoFeed.




