Thiago Giron Garcia formalizou candidatura ao EUCRA-2. Uma eventual participação poderá trazer referências internacionais para a regulação do saneamento e a segurança hídrica em Araçatuba e região.
O Comissário Geral e Presidente da AGRF-DAEA (Agência Reguladora e Fiscalizadora do Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba-SP), Thiago Giron Garcia, recebeu convite para apresentar candidatura aos grupos de especialistas da Segunda Avaliação Europeia de Riscos Climáticos, o EUCRA-2. Formalizada nesta semana, a inscrição propõe uma contribuição brasileira ao debate sobre abastecimento de água, tratamento de esgoto e adaptação da infraestrutura aos riscos climáticos.

Coordenada pela Agência Europeia do Ambiente — EEA, a iniciativa reunirá especialistas para avaliar vulnerabilidades, examinar medidas de adaptação e identificar prioridades de ação.
A comunicação do resultado da seleção está prevista para o início de dezembro de 2026, e a publicação da avaliação, para 2028.
Fonte: Instagram pessoal
Para Araçatuba e região, o interesse está na possibilidade de aproximar a regulação municipal de experiências internacionais sobre problemas com efeitos locais: escassez de água, interrupções de serviços, perdas nos sistemas de distribuição e necessidade de investimentos em infraestrutura mais resiliente.
Conhecimento internacional com aplicação local
Garcia indicou como primeira opção o grupo de Infraestrutura, ambiente construído e serviços relacionados, no subtema de abastecimento de água e gestão de águas residuais. Como segunda opção, escolheu Ecossistemas naturais e seus serviços, com interesse em soluções baseadas na natureza.
A proposta do EUCRA-2 vai além da identificação de ameaças climáticas. O trabalho também examinará as condições que permitem colocar medidas de adaptação em prática, incluindo responsabilidades institucionais, planejamento, coordenação e barreiras à implementação.
Essa abordagem tem relação com desafios enfrentados pelo serviço público. Conhecer os riscos é uma etapa; definir quem deve agir, quais medidas priorizar e como acompanhar os resultados é outra. No saneamento, essas decisões influenciam a continuidade do abastecimento, a proteção dos mananciais e a qualidade dos serviços prestados à população.
Uma eventual participação poderá oferecer referências para aprimorar a análise de riscos, a fiscalização e o planejamento regulatório. A aplicação desse conhecimento dependerá de sua adequação às condições locais e às competências da agência.
Atuação institucional e formação acadêmica
A candidatura se soma à participação do Comissário Geral em eventos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA, autarquia federal responsável pela gestão dos recursos hídricos, regulação do saneamento básico e segurança de barragens no Brasil, em encontros promovidos por Tribunais de Contas e em capacitações voltadas às agências reguladoras.
Esses espaços permitem acompanhar discussões sobre normas, fiscalização, governança e qualidade dos serviços, além de promover a troca de experiências entre instituições responsáveis pela gestão e pelo controle do saneamento.
Indicado para o cargo, pelo atual Prefeito de Araçatuba-SP, Lucas Zanatta (PL), possui formação nas áreas de Administração, Gestão Pública e Engenharia de Produção, Garcia possui experiência em meio ambiente, regulação e gestão de recursos hídricos. Também tem especializações em Engenharia Sanitária e Ambiental e em Sistemas de Abastecimento e Esgotamento Sanitário.
Atualmente, é aluno da UNESP (Universidade Estadual Paulista), no Mestrado em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos — ProfÁgua. Desenvolvido por uma rede de universidades públicas brasileiras, sob coordenação da UNESP e com apoio da ANA e da CAPES, o programa tem foco na formação aplicada à gestão das águas.
Seu projeto de pesquisa em desenvolvimento aborda segurança hídrica, usos múltiplos da água e estratégias regulatórias para antecipar riscos de escassez e mitigar conflitos.
Eficiência hídrica, reúso e proteção ambiental
Na candidatura, Garcia apresentou sua participação em projetos de redução de perdas, tratamento e reúso de águas residuais, recarga de aquíferos, análise de indicadores de qualidade da água e elaboração de planos de resíduos sólidos.
Os temas conectam eficiência operacional e proteção ambiental. Reduzir perdas pode diminuir a pressão sobre as fontes de abastecimento; o reúso pode ampliar alternativas para determinadas demandas; e o monitoramento da qualidade da água fornece informações para decisões de gestão e fiscalização.
Garcia também é autor de dois livros sobre Gestão de recursos hídricos e Wetlands construídos, com registros ISBN emitidos pela Câmara Brasileira do Livro — CBL.
Benefícios potenciais para o serviço público e a região
O principal benefício de uma eventual participação será o acesso a métodos, evidências e experiências que possam ajudar a enfrentar problemas locais. Para a administração pública, esse intercâmbio pode contribuir para decisões mais bem fundamentadas, identificação de vulnerabilidades e definição de prioridades.
Em uma região com diferentes demandas sobre os recursos hídricos, o diálogo entre regulação, pesquisa e gestão pode apoiar a construção de respostas para conciliar abastecimento, atividades econômicas e proteção ambiental.
As experiências europeias precisarão ser examinadas considerando a realidade brasileira, as características das bacias hidrográficas, a infraestrutura existente e as responsabilidades de cada instituição. O valor do intercâmbio estará na capacidade de transformar conhecimento em melhorias no serviço público.
A colaboração nos grupos do EUCRA-2 será voluntária e não remunerada, com atividades predominantemente on-line entre dezembro de 2026 e aproximadamente março de 2028.
O convite recebido foi para apresentar candidatura. A integração do Comissário Geral aos grupos de especialistas ainda depende do processo de seleção coordenado pela EEA.
Da Redação – Portal SaneAgora




