Levantamento com base em dados do SINISA mostra cobertura de esgoto abaixo de 30% e perdas de água superiores à média nacional no estado.
Um levantamento divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) mostra que 29,4% da população pernambucana tem acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, enquanto 71,6% dispõe de água tratada.
Os dados utilizados pelo Tribunal têm como referência o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) e ajudam a dimensionar a distância entre a situação atual do estado e as metas nacionais de universalização previstas para 2033.
Além da baixa cobertura de esgotamento sanitário, o diagnóstico também chama atenção para o índice de perdas na distribuição de água, que chega a 43,4% em Pernambuco.
Cobertura de esgoto permanece abaixo de 30%
Segundo o levantamento, menos de um terço da população do estado possui atendimento com coleta e tratamento de esgoto.
O percentual de 29,4% está abaixo da média nacional mencionada pelo TCE-PE, de 62,3%.
No abastecimento de água, a situação é mais favorável, mas ainda distante da universalização. A cobertura de 71,6% também fica abaixo da média nacional de 84,1% apresentada no estudo.
O cenário evidencia que Pernambuco ainda enfrenta um desafio significativo para ampliar simultaneamente o acesso à água potável e aos serviços de esgotamento sanitário.
Perdas de água chegam a 43,4%
Outro indicador relevante é o nível de perdas na distribuição.
Segundo o TCE-PE, 43,4% da água tratada distribuída no estado não chega a ser contabilizada como consumo autorizado.
A média nacional citada pelo Tribunal é de 39,53%.
O índice pernambucano também supera o percentual registrado no levantamento anterior, de 41,8%.
Na prática, isso significa que, a cada mil litros de água inseridos no sistema de distribuição, aproximadamente 434 litros deixam de ser contabilizados como consumo autorizado.
As perdas podem estar relacionadas a diferentes fatores, entre eles:
- vazamentos em redes e ramais;
- falhas em reservatórios;
- problemas de pressão;
- ligações clandestinas;
- fraudes;
- erros de medição;
- deficiência em cadastro e controle operacional.
A composição dessas perdas varia de município para município e exige diagnóstico técnico específico para direcionar investimentos e ações operacionais.
Diferenças entre municípios são expressivas
O levantamento também evidencia diferenças importantes dentro do próprio estado.
Entre os municípios citados pelo TCE-PE, Toritama aparece com 100% de cobertura de esgoto, enquanto Petrolândia registra 0,7%.
No abastecimento de água, Cortês apresenta cobertura de 96,1%, enquanto Santa Cruz da Baixa Verde registra 1,4%.
Essas diferenças mostram que a média estadual, embora importante para comparação, não representa de forma uniforme a realidade dos municípios.
A capacidade de investimento, a estrutura dos sistemas existentes, as características territoriais e o modelo de prestação dos serviços influenciam diretamente os resultados locais.
Meta nacional é 99% de água e 90% de esgoto até 2033
O Novo Marco Legal do Saneamento estabelece como referência o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033, observadas as hipóteses e condições previstas em lei.
Diante dos números atuais, Pernambuco ainda precisa avançar significativamente para alcançar esses patamares.
No caso do esgotamento sanitário, a diferença entre a cobertura atual de 29,4% e a meta de 90% demonstra a magnitude do desafio.
Além da expansão física das redes, a universalização depende de investimentos em estações de tratamento, ligações domiciliares, manutenção, operação, financiamento e capacidade institucional.
Controle externo amplia acompanhamento do saneamento
O TCE-PE informa que acompanha a situação do saneamento no estado desde 2020.
O monitoramento inclui planos municipais de saneamento, indicadores de abastecimento de água e esgotamento sanitário e outros dados relacionados à prestação dos serviços.
A utilização de informações do SINISA pelos Tribunais de Contas reforça uma tendência de aproximação entre controle externo, regulação e acompanhamento das metas de universalização.
Para gestores públicos, concessionárias e entidades reguladoras, esse tipo de levantamento aumenta a importância da qualidade dos dados informados aos sistemas nacionais.
Dados ganham papel central na fiscalização
A universalização não depende apenas da existência de metas formais.
O acompanhamento periódico de indicadores permite verificar se os investimentos realizados estão produzindo melhoria efetiva nos serviços.
Entre os indicadores mais importantes estão:
- cobertura de abastecimento de água;
- cobertura de coleta de esgoto;
- índice de tratamento;
- perdas na distribuição;
- continuidade do abastecimento;
- investimentos realizados;
- qualidade da água;
- expansão de redes;
- atendimento de populações vulneráveis.
Esses dados também ajudam a identificar desigualdades territoriais e a estabelecer prioridades de investimento.
Redução de perdas é parte do desafio
A expansão do acesso não é o único desafio para Pernambuco.
O índice de perdas de 43,4% indica que parte relevante da água produzida não gera consumo contabilizado.
A redução dessas perdas pode contribuir para melhorar a eficiência operacional, reduzir custos e aumentar a disponibilidade de água sem depender exclusivamente da ampliação da produção.
Entre as principais medidas utilizadas no setor estão setorização das redes, controle de pressão, substituição de tubulações, combate a fraudes, melhoria da micromedição e uso de tecnologias de monitoramento.
Saiba em 30 segundos
- Água tratada: 71,6% da população.
- Coleta e tratamento de esgoto: 29,4%.
- Perdas de água na distribuição: 43,4%.
- Média nacional de perdas citada pelo TCE-PE: 39,53%.
- Fonte dos indicadores: SINISA.
- Meta nacional para 2033: 99% de água e 90% de esgoto.
Por que isso importa
Os dados mostram que a universalização do saneamento em Pernambuco ainda exige forte expansão dos serviços, sobretudo no esgotamento sanitário.
Ao mesmo tempo, o alto índice de perdas indica que a eficiência operacional precisa avançar em paralelo à ampliação da cobertura.
Para gestores, prestadores, reguladores e órgãos de controle, a leitura combinada desses indicadores ajuda a direcionar investimentos, fiscalização e planejamento.
Fonte
Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE)
Levantamento sobre abastecimento de água e esgotamento sanitário em Pernambuco.
Publicado em outubro de 2026.




