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Urbanização leva riachos do Alto Tietê a forte simplificação ecológica

Urbanização provoca colapso ecológico em riachos do Alto Tietê, aponta estudo

Pesquisa em 30 microbacias da Região Metropolitana de São Paulo mostra perda precoce de biodiversidade e de funções ecológicas relevantes para a qualidade da água.

A expansão urbana pode comprometer os ecossistemas aquáticos muito antes de um curso d’água aparentar estar completamente degradado.

Uma pesquisa realizada em riachos da Região Metropolitana de São Paulo identificou uma forte simplificação das comunidades aquáticas e de suas relações ecológicas à medida que aumenta a ocupação urbana das microbacias.

O estudo, publicado na revista científica Nature Cities e divulgado pela Agência FAPESP, analisou 30 microbacias de cabeceira da região do Alto Tietê, abrangendo desde áreas preservadas de Mata Atlântica até ambientes intensamente urbanizados. Agência Fapesp

De 190 interações ecológicas para apenas três

Os pesquisadores analisaram peixes e invertebrados e reconstruíram as teias alimentares existentes nos riachos.

O resultado ajuda a dimensionar a intensidade da transformação.

Nas áreas mais preservadas, as redes analisadas chegaram a apresentar aproximadamente 190 conexões ecológicas. Nos ambientes mais urbanizados, esse número caiu para apenas três.

O estudo também identificou redução superior a mil vezes no fluxo de energia estimado nesses ecossistemas. Agência Fapesp

Isso significa que o impacto não se restringe à diminuição do número de espécies. A própria estrutura de funcionamento do ecossistema é alterada.

Perda começa nas primeiras etapas da urbanização

Outro resultado relevante é a velocidade da transformação.

Segundo os pesquisadores, alterações substanciais aparecem já nas etapas iniciais de ocupação das microbacias.

A perda de organismos também não ocorre de maneira aleatória. A urbanização promove uma seleção relacionada ao tamanho corporal, modificando relações entre predadores e presas e, consequentemente, o funcionamento da cadeia alimentar.

A pesquisa foi liderada por pesquisadores da UFSCar e USP, associados ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), apoiado pela FAPESP. Agência Fapesp

O que biodiversidade tem a ver com saneamento

A relação com o saneamento é menos evidente, mas importante.

Riachos e outros ambientes aquáticos não funcionam apenas como canais por onde a água escoa. Ecossistemas preservados participam de processos naturais envolvendo matéria orgânica, nutrientes e determinados contaminantes.

Quando essas funções são comprometidas, os efeitos podem se propagar para rios e reservatórios localizados a jusante.

A própria FAPESP chama atenção para a relação entre a degradação ecológica e serviços ambientais associados à qualidade da água utilizada por uma região metropolitana com mais de 22 milhões de habitantes. Agência Fapesp

Segurança hídrica começa na bacia

O estudo reforça uma mudança conceitual importante para o planejamento hídrico.

Segurança hídrica não depende apenas de reservatórios, adutoras e estações de tratamento. Também depende das condições ambientais da bacia que produz a água.

Quanto maior a degradação do território, maior pode ser a pressão sobre os processos necessários para transformar água bruta em água adequada ao abastecimento.

Nesse contexto, conservação de cabeceiras, proteção de áreas ripárias, saneamento, drenagem urbana e ordenamento territorial deixam de ser agendas isoladas.

Passam a integrar uma mesma estratégia de gestão da água.

Um alerta para cidades em expansão

Os resultados também são relevantes para municípios fora da Região Metropolitana.

A expansão urbana sobre pequenas bacias hidrográficas é uma realidade comum em cidades brasileiras de diferentes portes.

O estudo do Alto Tietê oferece evidências de que preservar pequenos cursos d’água e suas microbacias pode ter importância muito maior do que sua dimensão física sugere.

Para gestores públicos, reguladores e prestadores de saneamento, a mensagem é clara: a qualidade da água que chega aos sistemas de abastecimento começa muito antes da captação.

Fonte científica

Agência FAPESP, Expansão urbana causa colapso ecológico em riachos da Região Metropolitana de São Paulo, 1º/10/2026. O trabalho científico foi publicado na revista Nature Cities.

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