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Singapura vira laboratório global para reduzir perdas, ampliar reúso e digitalizar utilities

Parceria entre Banco Mundial e Singapura transforma experiência local em laboratório global para perdas, reúso, digitalização e gestão de utilities.

Singapura está ampliando seu papel como referência internacional em gestão urbana da água ao transformar experiência operacional em plataforma de capacitação, inovação e replicação de soluções para utilities de diferentes países.

O movimento ganhou novo impulso com o Singapore Water Center, iniciativa do Governo de Singapura em parceria com o Banco Mundial, sediada no escritório do grupo em Singapura. O centro foi criado para disseminar conhecimento aplicado em gestão hídrica urbana, apoiar treinamento de gestores e operadores, promover estudos conjuntos e testar soluções voltadas à segurança hídrica.

Em material publicado em 1º de outubro de 2026, o Banco Mundial destacou três frentes que estão no centro dessa agenda: redução de água não faturada, ampliação do reúso e reciclagem de água e transformação digital de utilities. São temas que dialogam diretamente com desafios enfrentados por companhias e concessionárias brasileiras.

Perdas deixam de ser apenas problema operacional

A gestão de água não faturada, conhecida internacionalmente pela sigla NRW, passou a ser tratada como um tema estratégico porque reúne perdas físicas, falhas de medição, problemas comerciais e ineficiências de gestão. O Singapore Water Center já promoveu treinamentos específicos sobre o tema, com participação de profissionais de diferentes países.

Na prática, reduzir perdas significa ampliar a disponibilidade de água sem necessariamente ampliar captação, adução ou produção. Em sistemas urbanos submetidos a estresse hídrico, esse ganho pode representar maior resiliência, menor custo marginal de expansão e melhor desempenho econômico-financeiro.

O interesse de Singapura nesse campo é coerente com sua própria trajetória. O país desenvolveu ao longo de décadas um modelo integrado de abastecimento, drenagem, saneamento e reúso, apoiado em planejamento, tecnologia e diversificação de fontes.

Reúso entra no centro da segurança hídrica

Outro eixo destacado pelo Banco Mundial é o avanço de soluções de reúso e reciclagem de água. Em vez de tratar efluentes apenas como resíduo a ser descartado, a lógica passa a incorporar a água recuperada como parte do portfólio de oferta hídrica.

Esse modelo é especialmente relevante para cidades com baixa disponibilidade natural, elevada demanda ou necessidade de reduzir dependência de mananciais vulneráveis. O desafio, porém, não é apenas tecnológico. Projetos de reúso dependem de regulação, padrões de qualidade, aceitação social, infraestrutura adequada e definição clara dos usos permitidos.

Para o setor brasileiro, a experiência internacional pode servir menos como modelo a ser copiado e mais como referência para desenho institucional, avaliação de viabilidade e integração entre planejamento hídrico e saneamento.

Digitalização muda a forma de operar utilities

O terceiro eixo é a transformação digital. O Banco Mundial também vem utilizando o Singapore Water Center para apoiar capacitações em digitalização, planejamento de roadmaps e ferramentas operacionais para utilities.

Essa mudança envolve telemetria, integração de dados, monitoramento em tempo real, modelagem, inteligência operacional e uso mais sistemático de indicadores de desempenho. O objetivo não é digitalizar por digitalizar, mas melhorar tomada de decisão, manutenção, resposta a falhas, gestão de perdas e planejamento de investimentos.

Em utilities com grande extensão de rede, a combinação entre sensores, sistemas de informação, gestão de ativos e análise de dados pode permitir atuação mais preditiva e menos reativa.

O que isso significa para o Brasil

A experiência de Singapura ganha relevância para o Brasil porque as metas de universalização exigem não apenas expansão de redes, mas também aumento de eficiência operacional, sustentabilidade financeira e resiliência climática.

Em um cenário de restrição hídrica, perdas elevadas e necessidade crescente de investimentos, soluções de reúso, digitalização e gestão de água não faturada podem ajudar prestadores a ampliar capacidade sem depender exclusivamente de novas obras de produção.

O ponto central é que tecnologia, regulação e gestão precisam avançar juntas. A importação isolada de ferramentas digitais ou equipamentos tende a ter impacto limitado se não houver processos maduros, indicadores confiáveis e capacidade institucional para incorporar os dados à operação.

Fontes

Banco Mundial. “PUB Consultants on Partnering with Singapore Water Center to Improve Water Utilities”, publicado em 1º de outubro de 2026. Acessar fonte oficial.

Banco Mundial. “Singapore Water Center”. Acessar página institucional.

Banco Mundial. “Launch of Singapore Water Center”, 19 de junho de 2024. Acessar comunicado.

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